Bar do Giba: a esquina de Moema que virou instituição
Desde 1987 na esquina da Moaci com a Anapurus, o bar do saudoso Giba segue lotando Moema — e o steak tartare preparado na mesa explica por quê.
10 de ago. de 2026 · moema
foto: Veja São PauloBoteco é uma redução da palavra Botequim, que significa "pequeno estabelecimento comercial simples e popular onde se vendem bebidas alcoólicas, cafés e petiscos ou tira-gostos." Já o Bar pode ser considerado uma evolução do Botequim, pois, além de ter o mesmo papel voltado para a venda de bebida alcoólica, tem também o incremento de servir alimentos mais elaborados.
Um dos bares mais conhecidos de São Paulo é o Bar do Giba. Até essa semana, não havíamos visitado. Sorte a nossa que nos chamaram para conhecer.
Moema é um bairro um pouco diferente do habitual, com uma mistura de comércios, prédios e trânsito distribuídos por quarteirões bem delimitados.
O Bar do Giba é de 1987. Até há pouco tempo, não tinha nem cardápio. Gilberto Abrão Turibus — o Giba — nos deixou no início de 2025. Torcedor do Santos e Portelense, ele largou a antiga profissão de bancário para se dedicar exclusivamente à esquina da Avenida Moaci com a Alameda dos Anapurus, criando um dos locais mais célebres e concorridos da cidade.
Tradição que é mantida até hoje, cada dia mais. Aos sábados, o bar abre às 13h, e isso já faz com que diversas pessoas cheguem alguns minutos antes da abertura para garantir a primeira leva das mesas. Chegamos por volta das 14h e conseguimos encaixar uma mesinha alta enquanto aguardávamos nossa vez. De início, cerveja e torresmo. O torresmo é bom e, junto com a cerveja gelada, foi o início perfeito de uma longa jornada. Impressiona a quantidade de pessoas. Depois de quase 40 minutos de espera, conseguimos uma mesa na área externa — exatamente o que queríamos.
Ao sentarmos, veio a segunda leva dos pedidos: caipirinha de caju, batida de coco, bolinho de carne e pastel de camarão. Apesar de o bar ter uma fama negativa por conta do atendimento impessoal e apressado, o garçom que nos atendia conseguiu dar vazão a todos os pedidos rapidamente. É de se esperar que tenham que se desdobrar para atender a todo mundo, mas, ao mesmo tempo, acredito que as pessoas tenham criado expectativas cada vez mais desproporcionais para certas coisas. Claro que há um limite aceitável entre um bom atendimento e um atendimento ruim, mas não podemos dizer que esse tenha sido um ponto negativo em nossa visita.
A batida de coco é densa e finalizada com coco ralado por cima. Não é das minhas favoritas, mas, junto com a de amendoim, é uma das mais tradicionais de lá. O bolinho de carne é bom, bem temperado, crocante por fora e macio por dentro — poderia ser um pouco mais avermelhado no interior. O pastel de camarão chegou sequinho e, com a pimenta da casa, fez jus a ser um dos carros-chefes da casa. E foi justamente esse um dos pratos que motivou nosso pedido seguinte: o steak tartare.
Cerca de 50 minutos depois de pedirmos, chega um prato com todos os itens e, ao lado, um apoiador com os temperos. O garçom diz que está na casa há 12 anos e prepara, disparado, o prato que mais sai. Ao finalizar o preparo na mesa, ele retorna à cozinha para que o tartare seja incrementado com as batatas portuguesas, crocantes. O ponto alto do dia.
O Giba tornou-se um bar que transcende a clientela do bairro para virar um dos belos bares da cidade. Vale a visita, e retornaremos com certeza. Chegue cedo, ou vá com calma para esperar.