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E se a Tailândia estivesse mais próxima do que você imagina?

Vinte anos de experiência e uma construção sem atalhos nos aproximam da oportunidade de comer algo único e quase sem concorrência na cidade.

27 de jul. de 2026

Muito antes de se tornar chef e proprietário do Ping Yang, Maurício Santi desembarcou na Tailândia, em 2009. Morou lá por sete anos e percorreu o país de norte a sul, de leste a oeste. Além de ficar fluente em tailandês, teve a honra de trabalhar ao lado de grandes nomes da culinária local, incluindo Jay Fai, a única chef a receber uma estrela Michelin à frente de um restaurante de rua em Bangkok.

Conheci o trabalho dele há seis anos, quando fui convidado para o Ma Kin Thai, que significa "vamos comer": um jantar privativo realizado no apartamento do chef, para apenas oito pessoas por noite, com o objetivo de nos teletransportar à Tailândia por meio da comida.

Como nunca tinha visitado o país, e como é difícil encontrar bons restaurantes tailandeses em São Paulo, confesso que fui ao jantar com pouco conhecimento de causa.

O apartamento era pequeno. Duas bicicletas na parede faziam parte da decoração, ao lado da mesa central montada especialmente para a ocasião. A cozinha era ampla e abrigava pelo menos outras quatro pessoas. Entendi ali que o objeto de atenção e de decoração era apenas a comida.

Na mesa, um cardápio indicava as estrelas da noite: porco, camarão, berinjela, carne, salada, sopa de frango e miúdos, curry. Tudo era detalhadamente apresentado com sua devida região tailandesa de maior prestígio, acompanhado de arroz jasmim à vontade.

Ao longo do jantar, presenciei pela primeira vez a amplitude dessa culinária. A pimenta está presente, sim, mas o que mais me marcou naquele dia foi o jeito com que a comida tailandesa passeia pelos sabores sem pedir passagem: doce, cítrico, picante, às vezes tudo isso na mesma garfada.

Fomos dos últimos a viver essa experiência: na semana seguinte, o projeto foi encerrado por causa da pandemia. Nos meses seguintes, transformou-se em um curry shop no sistema de delivery.

Mas esse foi apenas o início. Em março de 2023, Maurício finalmente inaugurou o Ping Yang, seu primeiro restaurante próprio. Minha única falha foi demorar tanto para conhecê-lo. Reservei para duas pessoas e sentei-me ao balcão para admirar a cozinha aberta, à moda do meu primeiro encontro com o chef. O cardápio, compartilhável, é dividido em Chim (entradas), Ping (espetinhos), Yam (saladas), Yang (principais preparados na brasa) e Wok. A recomendação da casa é pedir ao menos um item de cada seção.

Comecei pela "Tailândia em uma mordida" e, em poucos segundos, relembrei a sensação e a ardência daquela comida. Depois vieram a salada de cítricos com porco grelhado e a sobrecoxa de frango na brasa, que deram um alívio na intensidade da pimenta. O alívio se manteve com a carne na wok com molho de ostra e vegetais, acompanhada de arroz. A refeição terminou com a única sobremesa do cardápio, o dumpling de cocada.

Nas visitas seguintes, o roteiro só cresceu. Do crudo de peixe ao curry de pato, passando pelo matambre suíno na brasa, a indicação é uma só: peça tudo.

Se sobrar tempo, do outro lado da rua Maurício abriu o P'lek, bar de drinques com comidinhas tailandesas comandado por João Piccolo, o atleta de balcão, consultor e bartender que passou por casas como Pitico, La Casserole, Regô e Bargo Mooca.

Tomara que apareçam mais Maurícios dispostos a nos levar para longe sem a gente precisar sair de São Paulo.

OQMS: reserve antes de ir, pois o Ping Yang está quase sempre lotado.