O QUE MAIS SAI em: uma rota de 650 metros no Paraíso, que entrega grande densidade de qualidade e diversidade.
31 de jul. de 2026 · paraíso
Está cada vez mais difícil sair para jantar em São Paulo. Seja por extensas filas, seja por armadilhas que nos fazem gastar mais do que gostaríamos, é bom sempre mapearmos áreas da cidade com boa densidade de qualidade gastronômica. Isso porque, se você precisar de uma segunda opção em cima da hora, já tem mais ideias na manga.
O bairro do Paraíso é um lugar em que você nunca estará desamparado para comer e beber bem. Isso porque ele foi ocupado, ao longo dos anos, por imigrantes do Japão, da Coreia e da China em peso (entre outros imigrantes, mas o foco deste texto é explorar esses três), que deram origem a uma ótima geração de empreendedores que ocupam as ruas do bairro com restaurantes de diferentes propostas.
Dito isso, o raio de 650 metros do qual falaremos hoje possui cinco restaurantes de extrema qualidade e é uma ótima amostra do bairro, que ainda contém outras joias, das quais falaremos futuramente.
Yorimichi Izakaya
Tudo começou em 1981, na Liberdade. Shinji e Miyuki Mizumoto fundaram o Shin Zushi, estabelecimento que até hoje muitas pessoas consideram o melhor lugar para degustar a culinária japonesa clássica. Com o falecimento de Shinji em 1992, dois anos após o estabelecimento se mudar para o Paraíso, o primogênito Ken Mizumoto se deparou com a necessidade de assumir o balcão ao lado do irmão, Nobu. Não só assumiu, como expandiu os negócios e, em 2016, inaugurou o Yorimichi Izakaya. Yorimichi significa "dar uma passadinha", mas não é incomum ficar por horas no balcão bebendo e comendo. Dos kushiyakis (espetinhos), que saem de uma pequena grelha, aos onigiris, feitos à mão, dá para acompanhar tudo sendo preparado com maestria. É importante reservar antes de ir ou então ir com calma para, com sorte, conseguir uma mesa.
KuroMoon
O KuroMoon é descrito pelos fundadores como um bar com origens coreanas e japonesas, além de trazer referências de outros países em alguns pratos. Nós o enxergamos como a junção da qualidade de execução e da experiência de Waka Kuroda (sócio de outros restaurantes, como o Izakaya Kuroda e o Kinboshi) com a criatividade e a obstinação de Fabio Moon (que antes comandava o finado FatCow). Essa junção faz com que o cardápio sempre possua surpresas muito agradáveis e nos traga um respiro em meio à repetição que se espalha pela cidade. Já fomos inúmeras vezes à casa e recomendamos pedir tudo o que for possível, lembrando que alguns pratos possuem número máximo de saídas e, portanto, costumam acabar em minutos. O destaque vai para o bolonhesa coreano, mas ainda queremos voltar para experimentar o novo pastel folhado de karê. Também vale ressaltar que o bar ficou muito concorrido nos últimos anos (por mérito dos fundadores e do time); por isso, o ideal é reservar uma mesa ou chegar sem expectativa de horário para sentar.
Jojo Ramen
Durante muito tempo, havia apenas uma opção para comer ramen em São Paulo. O Aska, na Liberdade, reinou em voo solo de 2000 a 2008. Com o advento do Ramen Kazu, essa história começou a mudar a passos lentos. Eu nunca tinha tido contato com ramen até o intercâmbio que fiz em 2018. Em Copenhague e no restante da Europa, a facilidade para encontrar o bowl com caldo, macarrão e os acompanhamentos é grande. De volta a São Paulo e com um novo prato desbloqueado, me deparei com uma opção a poucos passos de onde fazia faculdade. No auge do inverno, em pleno mês de julho, fui conferir sozinho para ver se se equiparava aos que tinha provado no Velho Continente. Aprendi que ramen se come sozinho ou, no máximo, em duas pessoas. É um prato rápido, prático e nutritivo. Você chega, senta, come e vai embora.
Às 18h em ponto estava lá, no horário de abertura. Andei por todo o salão e me sentei no balcão, que dá diretamente para a cozinha, onde os ramens são feitos, cuidadosamente, um por um, com uma rapidez que impressiona. No cardápio, há alguns itens além dos ramens. Pergunto sobre a especialidade e o garçom me responde: o de base de missô é o que normalmente mais sai. Ele pergunta se gosto de pimenta. Eu respondo: muito. Jojo Kara Missô. Até hoje, meu pedido infalível.
O chashu tem o gosto da grelha. O macarrão tem a espessura que mais me apetece, nem tão fino, nem tão grosso. O caldo é encorpado e leve ao mesmo tempo. E o principal: tem o poder de desentupir qualquer nariz da melhor forma possível. Depois disso, minha vida nunca mais foi a mesma. Foram mais de 20 visitas. O Jojo elevou o nível do ramen e cobra por isso, mas é de uma excelência quase inigualável na cidade. Peça também o frango frito e as sobremesas. Mas já aviso: é um caminho sem volta.
Kinboshi Karaokê
O Kinboshi Karaokê é um restaurante despretensioso e que entrega uma qualidade incrível, das entradas aos pratos principais. O estilo do restaurante é muito descontraído, contando com salas de karaokê que simulam os ambientes encontrados recorrentemente em Tóquio e outras cidades japonesas. O cardápio possui algumas opções de destaque nas entradas, como o risole de carne e kimchi, a língua bovina grelhada e o karaage, além dos pratos principais, que contam com ramens e o Omusoba (prato originário de Osaka, com molho de yakisoba, coberto com omelete, maionese e nori).
KuroMoon Ramen
O KuroMoon Ramen é o irmão mais novo do KuroMoon e carrega toda a qualidade impecável da família (que venham outros filhos!). Demoramos um pouco para conhecer a casa, erro que não cometeremos novamente caso a dupla de fundadores decida criar uma terceira casa. Diferentemente do irmão mais velho, o Ramen possui cardápio enxuto, com uma opção de ramen, um chahan (arroz frito com ovo e shoyu) e o tsukemen (em que o macarrão vem frio e você o incorpora a um caldo encorpado). Além disso, serve um ótimo gyoza e um karaage bem executado. O destaque vai para o ramen, com caldo à base de porco, pato e frango e grande concentração de umami. Idealmente, adicione um ovo à parte (ainda vamos voltar para experimentar o chahan e o tsukemen). Também diferentemente do outro KuroMoon, a casa é mais tranquila para sentar. Procure o balcão para ver o chef Taihei Naoto comandar a cozinha com maestria.